14 de maio de 2012
goodbye my lover.
Hoje li uma frase no tumblr que me deu logo vontade de vir aqui escrever, mais uma vez para ti. Passo a citar: «
O pacto que todo casal deveria fazer: ''Quando eu achar que o amor esta acabando prometo me lembrar dos motivos que me fizeram te amar um dia!'' ». Confesso que isto colocou-me logo a pensar nas razões que me fizeram amar-te todos estes anos, sem uma única falha, estando sempre ligada a ti. Talvez fosse isso, a ligação que houve desde prematuro tempo. Ou talvez a cumplicidade que houve, de onde surgiu uma melhor amizade que mais tarde se tornou num grande amor. Ou seria esses teus olhos tão iguais aos meus, de um certo jeito onde a única coisa que nos distinguia era a mancha cor de ouro que tenho num deles? Ou seria o facto de seres da minha altura? Ou seria aquela tua doce e inocente forma de tratar de mim como quem trata de um amuleto? Algures numa dimensão temporal e espacial perdeste essa forma de ser pela qual me apaixonei. Os teus olhos tornaram-se baços, sem brilho, nessa tua incessante procura de um alguém para ser no dia a dia, tentando agradar a todos, e acabando por não agradar ninguém. Nessa tua busca por locais obscuros, afastando-te dos teus reais objetivos e razões de ser. A minha professora de Português diz que tenho uma escrita muito elegante e coerente, que tudo o que escrevo, demonstro pensar em cada palavra que passo para o papel. Essa escrita formou-se a partir de um grande amor que por ti sempre nutri. Talvez numa outra vida fosse escritora, ou apenas uma eterna apaixonada que escrevia cartas diárias para ti, meu amor. Já viste como seria? E devo-te tudo. Lembraste quando, antes de te conhecer, quase não sorria? Faltava-me algo. Tal como a Lua precisa da noite para brilhar, e o Sol do dia para aparecer, eu precisava de ti para... tudo, sabes? Tudo mesmo. Sem ti entro em trilhos e recantos escurecidos pela noite, sem uma única luz para me guiar. Sem ti, tudo é escuro, deserto, sem vida, sem luminosidade. A tua simples existência e os nossos contrastes fazem uma fotografia perfeita, sem serem necessários retoques por parte do exterior. Lembraste como te peguei aquela minha paixão por fotografia? Era perfeito quando passávamos longos minutos, se não horas, a discutir acerca do assunto. Acho impressionante como sempre tivemos tema de conversa. Podíamos falar 24 sob 24 horas sem nos cansarmos, e teríamos sempre algo para falar. Ainda sinto o teu maravilhoso perfume no camisolão amarelo que me deste, depois de eu insistir durante meses que o queria. Lembro-me... de tudo. Da tua última noite em minha casa. Confesso ter sido a melhor noite da minha vida. Nunca pensei em dar tanto por alguém, em me entregar tanto a alguém. E as lágrimas já escorrem. Talvez esteja a transpor uma barreira que não deveria, estando aqui a abrir o meu coração ao mundo e a demonstrar o quanto te amo, o quanto ainda estás presente em cada poro do meu corpo e em cada batimento do meu coração. Dizes que já me esqueceste, e realmente, começo a acreditar... Para ti, simplesmente deixei de existir. Apagaste os meus números, apagaste as nossas fotos e apagaste toda uma história (in)completa. Deveria de me sentir culpada? Deveria de me sentir, de algum jeito, culpada por ter deixado o meu, não namorado, não melhor amigo, não marido, mas sim Homem da minha vida ir embora? Passei tanto contigo, bolas... Parecias uma droga, nunca te consegui colocar para trás das costas. Eras aquele que estava destinado para mim. Mas talvez o destino tenha decidido trocar as voltas, e destinar-te a outro alguém neste mundo que merece tudo aquilo que dás, que merece o pai perfeito para as suas crianças, que eu sei que vais ser. Talvez te tenha destinado àquela rapariga que vais conhecer um dia no metro, ou pura e simplesmente vais dar-lhe um encontrão na rua e daí vai surgir aquilo que se chamam grandes amores. E eu? Vou continuar aqui, a recordar um nós que existiu durante tanto tempo que pareceu ser eterno, e durante tão pouco tempo que pareceu uma brisa leve de uma noite de verão calorosa, como os teus abraços. Talvez seja estúpida por ter começado a escrever este texto com uma ideia, e ter terminado com outra completamente diferente e com lágrimas a escorrerem-me pelo rosto, já com estes soluços irritantes. Vou fechar este texto com uma das minhas memórias favoritas: quando adormeci com a cabeça no teu peito, na praia, no último dia que tive algum contacto físico contigo. Quando acordei e tu estavas meio adormecido, meio acordado, meio a olhar para mim, meio de olhos fechados. Eu lembro-me do que éramos e do que tínhamos. E sei o que agora não sou nem tenho. Vou respirando, aos poucos, um novo ar, sem o teu aroma, sem a tua presença. Só eu... E a solidão.